Um dia fui me deitar com o amor,
no outro acordei vazia.
Cacei as borboletas
procurei pergaminhos
percorri caminhos que já não lembro mais.
O amor foi embora, bateu a porta,
esqueceu de avisar.
Um dia eu fui me deitar com o amor,
no outro me perdi na melancolia.
Tropecei nos passos, me perdi entre as palavras
sem o amor de nada adiantava
a música já não fazia sentido.
Me acostumei com a lacuna na gaveta
e até gosto do silêncio que o apartamento ficou,
mas eu sinto falta de pintar, das borboletas e
do disco que a gente ficou de gravar.
Meu peito é um baile sem música, onde nada me resta senão esperar.
Meus passos retumbam no pobre salão vazio, em uma vaga esperança que um dia volte a dançar.