o papel mar
o papel sem cor

derretido, sem perspectiva, sem formato, dissolvido, abstrato
parte de mim queria que não fosse, mas a maior parte não queria que ficasse
minha solitude me envolve, me acalenta, me aquece, me cobre

a solidão que preenchia o recinto com sua chegada vai esvaindo enquanto minha confiança, minha ressalva, minha coragem de viver, encontram lugar no que antes parecia oco
papel machê, poesia no barulho do ônibus e no amassado do jornal

é a brincadeira da solidão, no aparato do não convencional