Apesar de eu sempre ter sido atrapalhada em qualquer dança, ele me conduzia como ninguém; fazia parecer brincadeira de criança.

E, ao decorrer daquela música que nos guiava, fomos inventando novos passos de diversas formas, até não precisarmos mais deles, pois havíamos criado imensas asas.

Fiquei tão encantada com aquela dança, que decidi que nunca mais pararia. Dessa forma, me tornaria uma eterna bailarina. Jamais me cansaria.

Pensei que seria egoísta por não querer parar caso ele estivesse já cansado. Cheguei até mesmo a me perguntar se eu saberia dançar; mesmo que, se em algum dia, não estivesse mais ao seu lado.

Ele me disse que não havia nada para eu me preocupar; disse que sempre estaria por lá.

Foi então que percebi que ele já não estava mais ali de corpo presente ao me guiar. Tudo que restava era o seu fantasma. Era a 7° melodia, mas ele havia ido embora antes mesmo de a terceira música começar.

Eu era uma simples dançarina motorizada pela carência da alma. Triste mesmo foi descobrir, ao final, que dancei, por muito tempo, com um fantasma.

- F.R.Flor