Troco olhares com o quadro verde em minha frente. Ele me olha e eu olho pra ele, enquanto deixo que os sentimentos me invadam.
Lembro de tudo que fiz, que criei, que pintei. Risadas e lágrimas, felicidade e tristeza, são palavras fracas demais para contar toda a história. Um mundo etéreo e completo, onde quase tudo que precisava encontrei.
Troco olhares com o quadro verde, que aos poucos se quebra, se espatifa. Agora caído no chão ele já não tem mais tanta vida. Junto com ele minha alma se vai, e leva meus pensamentos para o chão novamente. Ao menos posso descansar, finalmente.
Um sono agitado e profundo, cheio de sonhos e pesadelos. Um sono que me deixa inquieto e tremendo.
Mas ao acordar eu vejo, era só questão de tempo até ele vazar. Troco olhares com o quadro verde, que agora nem tento mais controlar. Tudo corre dele como as lágrimas que saem de meus olhos, a correnteza de um rio que ninguém sabe para onde nos levará. Tudo transborda dele como um copo cheio demais, cheio de vida, de caos, de desespero, de paz.
E os sentimentos transbordam, e as cores se espalham, tudo tomando cor e forma bem em frente aos meus olhos.
E agora eu finalmente sei, que independente do que acontecer comigo, o quadro verde estará aqui.
E eu sei que vou viver.
Vou viver, enquanto houver um vestígio dos quadros que eu fiz.

Temporarily removed

Inspirado por

"As cores vão
Se espalhar
Eu vou viver enquanto houver
Um vestígio dos quadros que eu fiz"
Quadro Verde - Rubel
outros textos