"O relacionamento tóxico nem sempre envolve agressão, mas pode ser a inferiorização de uma pessoa, os ciúmes exacerbados, a não cumplicidade e a culpabilização de uma pessoa por todos os erros do relacionamento. Fatores recorrentes em A Química que há entre nós." Essa é a citação de uma resenha que eu li ao terminar o livro em uma rede social, é assim que vamos terminar o começo.
Esse provavelmente é o romance mais problemático que já li em toda minha vida, e eu mal sei por começar. Sinto que essa obra saiu do mais profundo da alma da Krystal, consigo perceber que ela doou o seu coração ao Henry e a Grace, e resenhas onde você está emocionalmente ligado a autora (que eu nem conheço direito) e as suposições de uma história finalizada, são bastante difíceis de escrever.

"As pessoas não têm almas gêmeas. Elas fazem suas almas gêmeas." Essa é a frase que gostaria de começar a falar sobre o Henry. Acho que o mesmo gostaria de ter sabido dela ao se apaixonar, ou pensar que se apaixonou, pela garota que entrou mancando na aula de teatro. Ele tem 17 anos e nunca se envolveu emocionalmente com ninguém. Com um histórico reluzindo de limpo, o garoto é o contraste de sua irmão Sadie, a genia quebradora de padrões, regras e todas as coisas que possam ser quebradas. Ele fez tudo certo, até Grace chegar. Porque junto com ela, chegou o caos de uma vida organizada, a tristeza e a melancolia. Melancolia. Essa palavra definiria todo o ciclo do livro: um aglomerado de sentimentos confusos e melancólicos. "Talvez nós dois estivéssemos apaixonados por ideias." Ambos estavam tapando buracos de uma vida desnorteada. A Grace via no Henry o Dom, e o Henry se apaixonou pelo mistério de uma garota quebrada. Porém, ele não via a verdadeira Grace: a que não dorme nem quatro horas por noite, a que jamais que voltar a escrever, a que veste sem lavar as roupas do namorado morto. Porque essa Grace estava lá, ele não viu e ela não fez questão de mostrar. Ela foi egoísta ao tomar tal atitude, ela manteve alguém perto de si para preservar a imagem de um defunto. "A melhor coisa que o universo já nos deu é saber que vamos todos ser esquecidos." Essa é a frase que me impediu de não dar uma estrela para todo o livro, porque ela diz o que tem que dizer, sem prolongar ou enfeitar. O universo nos esquece de proposito, e, sob a relva, jaz todos os nossos pecados, angústias e dor. Tudo que torna irrelevante quando, sob o solo, descansarmos.
Comecei com uma citação sobre relacionamentos tóxicos porque é isso que eu penso que ocorre aqui, em ambos os lados. Ao perceber a complexidade da garota, o Henry tinha obrigação de interromper todo aquele ciclo e ajudá-la, procurar um profissional. Em todo o momento, após eles se envolverem, ele quer exibir, quer que as pessoas saibam, tornando público o relacionamento. Isso é tão atual e corriqueiro, que esquecemos o quão problemático é, afinal, ninguém namora oficialmente até ter um post no Facebook indicando isso. Outro ponto: A Grace usou o menino, tipo, o tempo todo. Sei que ela provavelmente estava em uma depressão profunda, mas era uma pessoa ali, como ela. Em muitos momentos o casal reforça esteriótipos adolescentes e até adultos. "O amor é cientifico, cara. Quer dizer, ele é apenas uma reação química do cérebro. Às vezes essa reação dura uma vida inteira, repetindo-se de novo e de novo. E às vezes não." No fim, a Sadie estava certa: o amor é apenas uma reação química, romantizada ao longo dos séculos para tentar motivar a nossa existência. "Tudo morre, o amor inclusive."

A música que não saia da minha cabeça enquanto eu escrevia essa resenha era Sad Song, do We The Kings. Essa é a música de A Química Que Há Entre Nós.
"[...]Sem você, eu me sinto quebrado
Como se eu fosse metade de um todo
Sem você, eu não tenho nenhuma mão para segurar
Sem você, eu me sinto rasgado.
[...] Com você, eu sou uma linda bagunça
É como se nós estivéssemos de mãos dadas
Com todos os nossos medos à margem.
[...]Você é a melodia perfeita
A única harmonia
Que eu quero ouvir
Você é a minha parte favorita de mim
Com você ao meu lado
Eu não tenho nada a temer"

sad song é a musica do henry e grace