Esse artigo é mais sobre a naturalidade que a possessão é retratada em livros do que uma crítica ao livro em si.
Pelo que descobri fuçando na Internet, antes de ser editado, vendido como obra literária e adaptado para o cinema, The Kissing Booth era uma fanfic. Não há nada de errado em escrever e ler fanfics, é uma forma de interação, incentivo a criatividade e a leitura. Porém, o público alvo das estórias criadas por fãs é majoritariamente adolescente. É esse o ponto dessa crítica. A Barraca do Beijo já foi uma experiência bastante terrível; eu não conseguia entender toda a histeria por trás do filme. O Noah é extremamente sexista e controlador nas cenas do filme, e a Elle é passiva, ela tenta ter altivez, mas sempre acaba sendo seduzida. Mas em que século estamos? Então eu pensei: talvez eu devesse tentar entender de onde veio a base desse trabalho cinematográfico e voilà: A Barraca do Beijo, publicado em 2018 por Beth Reekles.
Sendo mulher, escrevendo sobre mulher e, consequentemente, atingindo um público feminino, principalmente, eu não imaginei que Beth escreveria tão rasamente sobre a Elle. Tanto livro quanto no filme ela é sub-julgada, retratada como uma boneca, que deve ser protegida, que é ingenua etc. Isso é patético. Porém, não tão patético quanto o Noah Flynn (e olha que existem muitas coisas patéticas nesse livro). O cara é simplesmente um lunático que acredita ter o poder de coordenar a vida da amiga do irmão. Além, claro, de todos os comentários machistas sobre o comportamento, vestimenta e atitudes da garota. Como as atitudes dele podem ser vistas com normalidade, depois do mesmo admitir que não permitia que ninguém chegasse perto da Elle? Isso soa no mínimo, possessivo, até porque nenhuma garota é propriedade de ninguém, e isso vale para os garotos também.

Iniciei essa resenha falando sobre as fanfics, terminarei falando sobre elas. É um século moderno, quando menos percebemos, estamos sendo influenciados.E não seria diferente com as estórias escritas de maneira independente on-line. Normalizar o sexismo do Noah, a objetificação e passividade da Elle é permanecer em um erro cometido à seculos. Eu sinceramente acho uma perda de tempo, existem young adults que acrescentam muito mais que A Barraca do Beijo, que trazem reflexões e falam de temas realmente construtivo.