Recentemente tenho aprendido mais sobre moda sustentável. Não só no sentido dos recursos naturais explorados, mas também a respeito das mãos que tecem e costuram os detalhes durante o processo de confecção. Mãos de corpos que estão em outros continentes e até mesmo nossas mãos latinas. Mãos calejadas, reféns de um sistema. Um sistema de concorrência de preço, que paga pouco aos detentores das mesmas mãos que dão vida aos trabalhos dos estilistas. Mãos que ganham salários ridiculamente menores do que o valor das roupas revendidas no mercado.

Mãos que costuram, bordam, pregam botões. Mãos que fizeram a camisa que estou usando hoje comprada há 4 anos com uma etiqueta Made In China, criada por uma empresa acusada de exploração de mão de obra escrava. Na época, consumia pesquisando apenas o preço, estilo e qualidade do material, pintava um mundo cor de rosa. Grandes confecções bonitas, arejadas, com profissionais bem equipados. Um ambiente seguro e agradável.

Hoje, mais preocupada , procuro saber em que condições vivem as mãos que fizeram com que aquela peça estivesse onde está agora. Mas só isso mão é o bastante. Só isso não vai parar que empresas continuem explorando sem nenhum tipo de punição. Agem de forma “coerente” nos países “desenvolvidos” nos quais possuem sede própria, mas incentivam a corrupção e injustiça social nos demais países.

A lógica cruel de exploração na indústria têxtil com seus padrões de preços baixos é cruel em vários sentidos e mais cruel ainda é a gente nem ligar.