XVIII

A sociedade tanto exclama
Que um pobre coitado,
Sujo, alma carregada,
Pudesse ser açoitado.

Um animal por subjugar
Era ele assim visto.
Aos olhos do jurídico,
A política trata-se disto.

Com medo de se proferir
Não era reconhecido,
Comparado à sua inexistência,
Tal como um sem abrigo.

Não era bom com as palavras,
Parafrasear não era com ele.
Cuidava de quem amava,
Força vista só nele.

Na merda singela
Sentiu o sugar da morte.
Durante a vida que teve,
Merda singela ou sorte?