Entrei em meu ateliê, coloquei na minha playlist de músicas calmas e olhei para minha tela em branco e para as tintas em minha paleta. Hora de desabafar.
Prendi meu cabelo em um coque e logo peguei o pincel.
Comecei a pincelar a tela, não tinha certeza do que ia fazer, estava ali apenas para me acalmar e organizar os pensamentos.
Logo comecei a me afundar na pintura, cada pincelada vinha com um sentimento diferente, algumas eram mais fortes, outras mais fracas, mas todas igualmente significativas. Com os olhos fechados, mexia o pincel como se ele fosse uma extensão de meu braço e usava a paleta como se fosse um órgão vital, enquanto ouvia a música calmante que tocava no ambiente.
Lágrimas começaram a escorrer dos meus olhos, mas não me importei, apenas continuei pintando. Mesmo não sabendo exatamente o que estava fazendo conhecia cada traço que fazia com a palma da mão.
Senti o exato momento em que as pinceladas começaram a ficar ainda mais fortes, o exato momento em que todos os sentimentos me atingiram ao mesmo tempo, e então, o momento que terminei a pintura e finalmente percebi o que havia acabado de fazer.
Abri meus olhos e olhei para seu rosto, pintado na tela que antes era tão branca e sem vida.

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