São duas e dezenove. Hoje o dia foi cheio por aqui. Acordei no susto e saí correndo cedinho para pegar o computador no conserto, porque precisava voltar logo para uma reunião por vídeo conferência ainda de manhã. Quem marca uma reunião logo cedo, né? Eu tenho certeza que todo mundo percebeu aquela minha cara amassada que você gosta, mas aposto que ninguém seguiu a sua opinião.

Almocei as famosas almôndegas da Helena, vendo aquela resenha esportiva que a minha irmã odeia e ri sozinho, entre uma garfada e outra, ao lembrar do repetido complô de vocês contra mim.

A gente trocou poucas mensagens durante o dia, porque eu sei que você também tá toda atolada com novos trabalhos por aí e conhece bem a minha velha mania de falar pouco para não embolar ainda mais o meio de campo. O dia seguiu com muitos emails respondidos e com o planejamento de uma campanha ainda secreta. Fechei a tarde com uma tigela grande de açaí com granola, que trocaria sem pensar nem uma vez por aquela tortinha de chocolate que a gente dividiu da última vez que eu estive aí.

Emendei o futebol com a academia e depois, no pior estilo atleta de final de semana, sentei com os meninos no bar da esquina para comemorarmos os aniversários do mês. Falamos como nunca e rimos como sempre. Voltei e, depois do banho, autografei todos os livros que vão para o correio amanhã, que vai ser outro dia cheio, mas sem reunião com cara amassada, graças a Deus.

Apesar de ter sido só mais um dia, sem nenhum acontecimento de destaque ou lembrança para sempre, eu queria dizer agora, perdido na madrugada, que o amor é continuidade. E é exatamente por continuar sentindo tudo o que mora em mim e que te pertence de alguma forma, que escrevo agora, sem um motivo aparente, para dizer que quando o mundo descansa e quando todas as vozes se calam, eu sinto você pulsando em mim.