Se tem um fato, este imutável, é que o tempo passa. Se tem um clichê, este duvidoso, é que ele cura. Mas ninguém diz que o tempo também para. E mata. Porque nem todas as dores podem ser esquecidas, nem todos os amores podem ser substituídos, e nem todos os segundos podem correr libertos de tudo no vento. Porque existem coisas, pessoas e sentimentos que não dá pra simplesmente abandonar em um lugar qualquer no espaço. E o tempo, por mais majestoso, misterioso, místico… O tempo não passa de um passar de tempo. As pedras em nosso caminho não dependem dos ponteiros do relógio: dependem do quanto podemos aguentá-las e de como conseguimos chutá-las para fora da estrada. Não importa se a vida está correndo demais, porque quem aperta no freio somos nós. A gente precisa saber que nem sempre o caminho será contínuo, florido, bonito. Tem momentos de dor onde tudo é turvo, cinza, torto. Porque o tempo, por mais grandioso, potente e avassalador… O tempo falha. E deixa marcas que nem mesmo ele próprio consegue apagar depois. Nós, ao contrário do que pensamos, somos apenas coadjuvantes nessa luta: isso tudo, meu caro, é uma grande guerra do tempo contra ele mesmo. É inevitável chorar, se magoar, desistir. Tem coisas que não dependem da nossa boa vontade ou do nosso humilde querer. Assim como as folhas da árvore não escolhem cair, os frutos não escolhem amadurecer, o rio não escolhe secar… Assim como a vida não escolhe viver, a gente não escolhe sofrer. Ou morrer. E o tempo, curando ou não, estagnado ou não… O tempo existe. Independente de nós.