Aviso a um futuro amor:
Eu sou frágil, por favor, tome cuidado comigo. Eu sou frágil, mas peço que não me enrole em plástico bolha e me enfie no meio das roupas dentro da mala. Por favor, não me tranque numa caixa esquecida no fundo da prateleira mais alta do armário. Porque eu sou frágil. Mas não assim, não estou a um tombo de quebrar. Bem, mais ou menos. Vê, não é esse meu corpo que é frágil, não esse meu corpo já aguentou demais desse mundo. Também não é essa minha mente, não. Ela aprendeu a construir suas próprias muralhas de titânio para se proteger das maldades do mundo lá fora. Frágil aqui, só meu coração. Meu coração que já aguentou surras e tiros, mas que só foi remendado com um pouquinho de fita crepe. Meu coração, já cansado de sofrer por aqueles que, eu sei, não vão retribuir minha afeição. Meu coração, que não perdeu as esperanças. Ainda. Meu coração, que ainda é gentil demais, sonhador demais, ingênuo demais.