Por que o certo é ser magérrima?
Por que o certo é viver correndo atrás de um padrão cruel que nos limita e nos torna tão competitivas e infelizes?
Se olhar no espelho e odiar o que vê ali refletido não é normal, mas é tão comum que nem ousamos questionar mais.
Nos olhamos no espelho e não gostamos dessa que será nossa casa por toda uma vida.
Enxergamos defeitos em coisas que não passam de marcas de tudo aquilo que já vivemos e conquistamos.
E se a marca que você tanto odeia surgiu por causa do dia mais feliz da sua vida?
E se, caso você não possuísse essas marcas e "defeitos" que você tanto quer mudar, você não fosse a pessoa que é hoje?
Suas celulites, estrias e gordurinhas contam sua história. São as linhas, pontos e vírgulas dessa história. Fazem parte de quem você é e o ódio a isso se transforma no ódio por ser quem você é e por tudo aquilo que já viveu.
Seu corpo é um livro e histórias vão sendo contadas nele através dessas marcas, dessa estrias, dessas celulites, dessas rugas e dessas cicatrizes. São os registro de que tudo é real. De que você é alguém real com histórias reais. De que é única.
Da próxima vez que se olhar no espelho, pratique olhar suas marquinhas com um olhar mais gentil, com um olhar de gratidão por tudo aquilo que te fez chegar até aqui sendo quem você é.
E não, não vai ser fácil. Eu bem sei disso. Somos fruto de toda uma sociedade que prega que devemos nos odiar, e quebrar esse ciclo vicioso é sim muito trabalhoso, tanto quanto é libertador.
Mas faça disso um exercício diário; sempre que se olhar no espelho, ao invés de procurar mais coisas para odiar, procure seus traços mais bonitos. Ao invés de odiar cada pequena marquinha, agradeça a ela por fazer parte da sua construção enquanto pessoa real. Atribua às suas marcas as histórias mais felizes da sua vida.
Se o ódio por nossos corpos é fruto de uma construção, o amor por eles também pode ser. Basta acreditarmos nisso e pregarmos o amor ao ódio.
Ame-se.