Na minha involução
Viver é um dilema
Eu sou o problema
E minha própria solução

Solúvel e insossa
Me pendo pra baixo
Me perco, me acho
Nos olhos da moça

Curvas e retas
Sentença de morte
Que ganha suporte
De ideias secretas

Sopra um futuro
Com ar de tragédia
Acima da média
Em cima do muro

A impotência que vem
Do escuro que cega
Liberdade se nega
E me faz de refém

O vazio me consome
Preenchendo o espaço
Em cada pedaço
Uma angústia sem nome

Minh'alma é cruz
Esmagador é o peso
No Calvário, teso
Apaga-se a luz.