Ela é mulher e hétero, mas não, não sofre preconceito ou precisa se tratar psicologicamente por ser hétero, não a olham diferente por ser hétero, não a batem por ser hétero, não a tratam diferente por ser hétero. Mas fariam isso se ela fosse homossexual, se ela não fosse ou não fizesse coisas consideradas como femininas e seu amigo gay não está doente de homossexualismo, ele está saudável e não precisa de tratamento psicológico (a não ser que já exista algum tratamento para deixar de ser trouxa). Os que precisam de tratamento são os que acham natural estuprar, assediar moralmente, fisicamente e psicologicamente uma mulher simplesmente por ela ser mulher e ele por pertencer a comunidade LGBTQ. Ele tem mais sanidade do que aquele juiz que não acha constrangedor ejacular numa mulher no transporte público. Ele têm mais sanidade mental do que o homem que acha que ele precisa ser curado, que ele não é quem nasceu para ser, afinal, a sociedade não vê problema algum em ele e ela ser quem são, contanto que sejam o que e como a sociedade quer. Ela vive dizendo que homossexualidade não é doença, não é escolha, não é frescura, é direito, é coragem, é maturidade, é aceitação, é amor, tanto por si quanto pelo outro, seja o outro quem for. Ele sempre repete que nascer mulher no Brasil ou em qualquer outro país do mundo, é um ato de bravura, ser mulher é na percepção dele, é ser dura ao passo que é sensível, ser mulher é ter fé, é seguir o baile mesmo depois de dançar, é cair do salto, tropeçar no cadarço do tênis e continuar impecável. Mas pense, se separados já causam, imaginem juntos? Ah... juntos são as pessoas mais fascinantes. Porque no final não precisam de remédio, de tratamento, eles precisam de respeito, assim como qualquer outro ser humano, eles merecem respeito assim como você. Pergunto-me, se não poderiam também conceder uma liminar para o tratamento do mau caratismo, para tratar hipocrisia, machismo, assim como foi concedido uma para tratar alguém que nem de tratamento precisa. Se me permite dizer, deveriam se preocupar com o tratamento do câncer, do vírus HIV, da ELA, enfim... Com doenças reais e definitivamente preocupantes, não com a orientação sexual dele e tampouco com o tamanho da roupa dela, deveriam se preocupar em ensinar que não está errado ser diferente, que não é errado beijar alguém do mesmo sexo e que a homossexualidade, a transsexualidade, a bissexualidade, a heterossexualidade são as coisas que menos importam quando se ama, quando se quer bem o outro, mas tem gente que insiste em pensar o contrário, basear-se em religião, sem antes pensar por si só. Ele se questiona sobre o fato de que país é esse em que ser homossexual ainda é considerado doença psicológica enquanto que ser corrupto é normal? Que país é esse que aceita varrer a sujeira politica para debaixo do tapete, mas não aceita o relacionamento homo afetivo (que na concepção dela, deveria ser chamado apenas de relacionamento afetivo)? Ela não lembra ao certo que país é esse, onde as pessoas não se olham mais nos olhos, mas apontam constantemente o dedo na cara do outro? Ah... ela lembrou! Esse país, pessoal, infelizmente, é o Brasil e mesmo assim, ela sabe que não sofreria por aceitar dinheiro do homem que ela acha que ama só por ele ter tido o mesmo, vai sofrer por ser mulher, por muitas vezes ter tido coragem de dizer o que disse, vai sofrer preconceito a vida toda por fazer escolhas diferentes das que a sociedade quer que ela faça, mas ainda assim, talvez sofra bem menos do que ele, que é gay, do que uma outra amiga que é bi e vai sofrer a vida inteira por ser mulher ainda que digam que não, mas quase nada comparado ao que sofre aquele(a) pessoa que não sabe a que gênero pertence, e se sabe, morre de medo de ser quem é por medo de não ser aceito.