Eu era uma bagunça de sentimentos que eu insistentemente tentava conter, por mais que eu visse todos eles escorrendo pelas minhas mãos como se fossem água. Eu queria guardá-los, cada um em seu espaço, numa prateleira própria para suportá-los. Alinhá-los talvez por cor e tamanho, ainda que o mais sensato fosse colocá-los por intensidade. Desde os menores até àqueles que me latejavam a alma.

Quase sempre tudo esteve do avesso, uma vez que aprendi que estamos em constante mudança e aprendizado. Ainda haveriam muitas coisas desorganizadas no futuro, muitas noites em que eu não pregaria os olhos apenas para que eu tomasse um tempo dentro de mim para arrumar o que podia.

Mas há bagunças sentimentais que vem para o bem.