Eu não estou aqui para falar sobre as estatísticas, sobre as formas de prevenção, ou sobre quantas pessoas ficariam desesperadas ao descobrirem seu corpo sem vida. Estou aqui para falar de uma coisa totalmente diferente, totalmente nossa. Estou aqui para falar a todos que já tiverem no ápice da dor, seja ela qual for. A todos que já se jogaram na cama e deixaram as lágrimas rolarem no escuro do quarto por incontáveis horas. Que lançaram mão de um instrumento frio sobre uma pele que já foi quente. Que tomou qualquer coisa que achou na caixa e quis que aquilo bastasse. Que subiu ao vigésimo andar e quis ser leve para que o vento te lançasse abaixo. Estou aqui para dizer que ainda há tempo. Que esse frio que adentrou a sua alma pelas rachaduras da dor que os dias causaram, essa angustia que se alojou em sua mente, esse desespero entalado em sua garganta, têm jeito. Um jeito que só você pode dar. Se você se abraçar ao invés de se infligir uma última facada, se você se ouvir ao invés de escrever aquelas últimas palavras, se você pensar em si ao invés de tudo o que fizeram de ruim, ainda terá tempo. Tempo de reverter toda essa dor. Não sou eu, nem eles que precisam acreditar em ti. Não é um psicólogo, psiquiatra, psicanalista, um amigo preocupado ou um ente querido que precisam te dizer isso. É você. Eles estão aqui para te ajudar e estar ao teu lado, não para decidir se você vive ou morre, essa escolha é sua. Sei que pode soar injusto, o mundo que te leva ao inferno não ser o mesmo mundo que te tira de lá. No entanto, é a vida. E, mesmo que isso soe feio, ela também é mais que isso. Você é mais que isso. Tudo é mais do que é. E voltando ao assunto inicial dessa conversa, você pode mais do que pensa poder. Você pode superar, sobreviver, relevar, contornar, dialogar, negociar, e quantos mais adjetivos eu puder usar aqui. Você pode. Você pode ter uma vida. Você merece ter uma vida. E ela pode ser boa. E será. Basta você acreditar.
-Detalhares