“E quem eu quero está tão longe
Longe de mim”

Eu acordei com o verso gravado neste título grudado na cabeça. Pesquisei lá nas profundezas da minha memória pra lembrar de onde eu tinha ouvido isso. Surgiram vozes, depois uns rostos e aí eu me lembrei que foi de uma música tocada por Ira! e Pitty em um dos falecidos acústicos da MTV dos anos 2000.

Fui direto pro Spotify, não encontrei. Talvez uma questão relacionada à direitos autorais, sei lá. Fui pro bom e velho Youtube pois, afinal, tem tudo lá. E tinha. Coloquei pra tocar, pra alívio dos meus ouvidos e da minha mente. Daí a agonia causada pelo desejo de ouvir essa música ia desaparecendo - dando lugar pra outra agonia causada pela lembrança que os versos me traziam.

Não é que você seja lá o Todo Poderoso, mas ultimamente todas as músicas têm aberto umas linhas que me trazem até você. É como se cada cantor abrisse um refrão inteiro em suas músicas pra que eu pudesse guardar você ali dentro. Talvez isso seja uma forma de armazenamento em nuvem ou HD, que faça com que você saia desse espaço físico e abra lugar pra coisas novas. Mas eu tenho certeza de que não vai ser uma boa ideia eu encontrar você armazenado dentro de todas essas músicas, que com certeza vou voltar a ouvir um dia e farão com que eu me lembre de ti, de nós, e de todas essas coisas que aconteceram.

Essa, em especial, diz muito sobre a gente, ou pelo menos diz muito sobre como eu me senti [e às vezes, ainda sinto] em relação a você.

As vezes o meu último sussurro de esperança de sei lá o que é depositado no seu retorno. Essa semana que você planeja voltar pra cidade, sabe?
Será que vai querer me ver?
E se me vir, o que vai acontecer?

Eu gosto de pensar que faríamos uma despedida. Eu compraria aquela pizza que foi a melhor que eu já comi e foi a melhor que você já comeu. Beberíamos umas cervejas [a nova da Colorado já chegou na cidade, a Demoiselle, de café], eu te mostraria uns episódios de That 70s Show que tenho certeza que você iria gostar [e talvez seu personagem favorito fosse o Hyde ou o Red]. Talvez a gente colocasse o papo em dia sobre as coisas que aconteceram com você e comigo. Sobre as eleições, o meu TCC, o show do Paul, como vai a sua família, como vai a minha.

E aí, “a realidade que vem depois não é bem aquela que planejei”. Pois é. Sempre que eu lembro de você, de um jeito mais doce e menos magoado, procuro ver o que está fazendo. E aí me deparo com você seguindo em frente. Tudo bem, talvez ela te dê a companhia [mesmo que virtual] e a calmaria que eu já não estava mais te dando. E é sempre bom ter companhia.

Eu quero que você seja feliz, mesmo que isso signifique uma repaginação e reprogramação de todos os meus sonhos. Porque eu quero sempre mais, e espero sempre mais de ti.