Ela é uma menina estranha, me dá arrepios. Mora numa casa muito pequena, sua mente é um casulo, seus gestos são pouco importantes. Há nela uma ânsia qualquer, alimentada por intenções singelas. É como se não tivesse pensamentos, pois jamais percebo qualquer mudança de expressão em seu rosto de traços perfeitos. Nenhuma esperteza é avistada em seu olhar, sempre pouco simpática, não faz qualquer esforço para ser agradável. Por algum motivo que desconheço a menina é muito adorada. Começou numa tarde qualquer, quando sua camiseta branca mostrou que tinha seios brotando enquanto as outras nada sabiam sobre os tormentos do corpo. Não tinha qualquer amiga, embora estivesse sempre rodeada por outras garotas. Fitava-as enquanto ouvia seus desabafos, agarrava-se aos segredos e os saboreava lentamente, mantendo-os sobre sua língua venenosa. Senti-me irremediavelmente atraída por sua tibieza. Meus dedos formigavam ligeiramente, sôfregos por tocar sua pele macia. Meu olhar a perseguia, angustiada. Queria sim, não a garota, mas sim tentar ser a primeira que a faria sentir. Sentir... Muito.