E quem foi que disse que a gente nasce pra agradar?
Qual é a regra que dita o jeito certo de delinear seus lábios cansados de dizerem que as coisas são como são e nada as pode mudar?
Muda. Eu mudo.
O jeito certo do que é concreto é a alienação dessa era sem amor.
É voraz o desejo de não haver desejo toda vez que vejo você de longe caminhar.
Um vai e fica sem permanência, é carência e vontade de empurrar pra perto, aproximar pra longe.
Antônimo.
Metáfora.
Tudo isso afoga os afagos que guardo pra você.
Você que é o alguém invisível, a utopia palpável, o cheiro do asfalto depois da chuva. O hematoma roxo no meu joelho esquerdo, a vítima do meu eu. Eu.
Eu que falo sem certeza das certezas que não tenho, da incerteza que me acerta e que me preenche o peito. Cansa.
Me cansa essa dança de dedos entrelaçados, de nós atados, de nós, você e eu.
Você e eu. Mas quem sou eu? Sei que você é pó de lua da madrugada fria, é brisa de verão, é medo de não existir. Existe em mim.
Tudo o que não é real permanece aqui dentro, é feito ar, sinto e não vejo.
É sinônimo, é metafórico, eufórico, canícula, dor, dormente, existe na gente.