O amor não perdoa minha falta de fé. Não tem medo da força psicológica que tanto creio ter, arrebentando-me lentamente como o mais cruel torturador... Faz arder meu peito, como se a ilusão de que os sentimentos se originam no coração fosse a única verdade absoluta que o universo poderia ter.

Me encontro já fatigada deste tal amor que, toda vez que me vê, me agride! como se eu fosse seu inimigo mais mortal.

O amor é uma jovem apaixonada e rancorosa, que não aceita a rejeição por parte daquele que ama, e faz da vida do mesmo um inferno.
Eu não aceitei a paixão quando ela em mim despertou... E, dessa forma, a mesma me procura com ainda mais vigor e intensidade para observar-me sofrer e ceder lentamente aos seus prazeres, quando não mais suportar tais tentações.

Meus desejos não são outros...
Quero entregar-me de corpo e alma à esta causa! Porém tal causa já me parece perdida... Não consigo.
Não posso.
Sou o exemplo mais vivo da covardia! O próprio amor está conseguindo o que quer de mim.
Será que realmente conseguirá? E se conseguir, será que finalmente se mostrará caloroso e bom? Ou acabará comigo de uma vez?

Quando se tenta rejeitar a paixão, torna-se ainda mais difícil superá-la.