Há no mundo, atualmente, aproximadamente 7 bilhões de pessoas. 7 bilhões de olhos. Porém, o dobro de olhares.
Olhares atrevidos, temerosos, chorosos, alegres, perigosos...
Mas como é possível que, em meio a toda essa gente, nossos olhos possam colidir verdadeiramente apenas com um par desavisado, "solto" por aí?
Tenho ao meu redor cores, lojas, animais, flores... Mas é inexplicável quando os nossos olhos arrancam do emaranhado apenas um ponto, o qual querem firmar-se.
É imprescindível dizer o exato momento em que a nossa rotação ocular terá como principal alvo os olhos de alguém.
E então, o que devemos fazer quando isso acontece? "Meu Deus, estaremos perdidos!?"
Corremos, fugimos, disfarçamos? Talvez, sim! Só não podemos arrancar os nossos olhos.
É extremamente difícil imaginar que uma ilha desconhecida, entretanto, belíssima, possa tirar o nosso conforto, o nosso equilíbrio. Ao irmos à uma ilha queremos desfrutar das suas praias, das novidades, dos passeios, das comidas.
Os olhos são como ilhas desconhecidas, cada um possuem os seus atrativos, os seus "cartões-postais", contudo, por mais que as ilhas sejam destinos para aqueles que buscam descanso, não temos garantia alguma de que uma tempestade tropical não alcançará e bagunce todo o litoral, a tal ponto, que mesmo à distância seríamos intensamente afetados.
Ah... Olhares! Tem que ser assim tão misteriosos e profundos?
Tão além dos muros?
Após a chegada da tempestade tropical, simplesmente perdemos a força e firmeza nas pernas, ficamos desnorteados. Parece que toda a fauna enriquecida de animais com asas procuram abrigo em nosso interior.
Então, o que fazer com toda esta bagunça que a tempestade causou?
Ainda bem que temos tempo para recompor e pôr ordem em todo o território. Ainda bem que temos, na outra ponta do litoral, flora o suficiente para soltar os animais com asas presos em nosso interior. Ainda bem que, logo após o mar revolto, vem a calmaria e a brisa de um mar brando.
Ainda bem que todo o caminho do litoral da praia estará livre dos destroços e dos resquícios da tempestade, sendo assim, finalmente poderemos andar livremente sobre a areia da praia, resfolegar nossos pés nas conchinhas desconhecidas, e encostar na água morna (antes gélida).
Finalmente, poderemos conhecer o verdadeiro caminho que nos levou a uma ilha, peculiarmente chamada de 'Olhares'.
Aviso: Olhem as placas, atentem aos mapas, escutem as dicas. Caminhos antes desconhecidos exigem de nós atenção redobrada e sabedoria exagerada!