Candy Silverstone sempre acreditou no amor verdadeiro. Mesmo passando por um grande trauma na adolescência, ela nunca deixou de imaginar que um dia em sua vida encontraria sua alma gêmea. Ela não sabia onde, nem quando. Mas sabia que o conheceria assim que o visse. Também sabia que ele traria sua paz interior, seu sorriso sincero, um formigamento dentro da barriga. Que faria seu coração doer, mas doer de tão forte que bateria, quando ele sorrisse para ela. Que a faria chorar às vezes, mas bem, só quando ela o quisesse por perto. E faria querer abraça-lo, quando estivesse ao seu lado. Tão apertado que se tornariam um só. Ele a faria sonhar acordada durante as aulas. Sabia que tiraria seu sono, sua concentração, o mundo abaixo dos seus pés.
Candy planejava filhos, domingos chuvosos de manhã em baixo das cobertas quentinhas, deitada em seu colo. Ele roubaria seus suspiros, seus modos, seus sorrisos e seus beijos.
Ele seria o amor da sua vida.
Para as amigas ela era uma garota louca, que sonhava, demais. Para seus pais, de certa forma – indiretamente – eles torciam para que esse dia nunca chegasse. Ela era filha única e eles protetores, porém o medo que sentiam que fizessem algum mal há ela era nítido.
Candy não se importava. Ela era conhecida por ter opinião própria, e não escondia de ninguém seus sentimentos e a vontade de viver um grande amor. Ela não sabia se ele seria loiro, moreno ou aqueles bronzeados surfistas do Havaí. Não sabia se o encontraria na biblioteca do colégio ou na padaria.
Mas tinha plena certeza que o encontraria. Ela o encontraria.
E saberia quando isso acontecesse.
– Candy está me ouvindo?
Ela piscou algumas vezes. Tinha esse pequeno problema. Às vezes imaginava como o encontraria e seus pensamentos iam parar nas nuvens. Como o dia que havia criado uma história na cabeça que Zac Efron era sua alma gêmea. Bem, ela não saberia ao certo como o encontraria, mas se algum dia ele fosse para Londres, ela daria um jeito de – casualmente – esbarrar nele.
– Pelo amor de Deus, ouviu alguma palavra do que eu disse? – perguntou Mellanie.
– Buscar café. – disse ela dando de ombros, aliviada por ao menos entender do que sua colega de trabalho estava falando.
– Ótimo, isso mesmo! Agora vá e aproveite para entregar esse bilhete para o Marcus da recepção.
Ela encarou o bilhete que Melllanie lhe entregou.
– Não leia.
– Eu não ia ler. – respondeu ingenuamente, dando de ombros.
Mas assim que saiu da pequena cozinha, ela leu. E por Deus, aquela mulher não tomava jeito nunca.
Mellanie era insuportável. Estava mais interessada em arrumar aquele cabelo e flertar com os homens engravatados – ou mandar bilhetes pornográficos – do que ajudar em alguma coisa. Não que Silverstone se importasse. Sabia que se fizesse o seu trabalho, alguém notaria que Mellanie não fazia o seu. Bem, ela rezava para isso.
Candy não precisava trabalhar, mas nunca foi garota que esperava pela ação dos outros. Ela queria uma bolsa. Ela teria a bolsa.
Essa era a ideia inicial quando começou a procurar por emprego, Fazia tanto tempo que seus pais haviam prometido, mas ela não aguentava esperar. Então procurou por algo durante uma semana e descobriu que precisavam de estagiários para uma das melhores empresas do país. Ela sabia que só podia ser um sinal. E talvez eles estivessem mesmo desesperados por alguém, ou talvez fosse à maneira inteligente dela se apresentar que tivesse os cativado, ela não sabia ao certo, mas tinha conseguido o emprego.
Agora precisava correr até a cafeteria e comprar café para as pessoas do treze – apelido para o seu departamento – porque a cafeteira tinha estragado. Ela sempre estragava.
Era esse seu serviço. Servir café e entregar recados. Uma chatice, mas a ajudaria a comprar a tão sonhada bolsa da Louis Vuitton.
Ela não sabia quanto tempo estava correndo. Parecia uma eternidade.
Quando finalmente chegou, abriu a porta rapidamente, espaventada do jeito que a mãe sempre falava que ela era. E então, em menos de um segundo o mundo inteirinho a sua volta parou. O destino era a oitava maravilha do mundo.
Candy havia o encontrado. Ela sabia.

Continuação: https://www.wattpad.com/myworks/120277905-desculpa-se-te-chamo-de-amor