Hoje chove lá fora. Mais uma vez, a água se choca no vidro das janelas ecoando um doce som, o favorito da minha alma. São três horas da manhã. A chuva lá fora, o café liberando fumaça, a xícara com telas de Van Gogh estampadas, o cobertor acumulando calor. Jorge está dormindo.
O café não fez mais efeito. Minha alma anseia em voar ao som das gotas de chuva. Voar dentre as árvores araucárias, aos trilhos do trem-bala e subir ao máximo que conseguir. Houve um limite na ultima tentativa, e ela não havia percebido. Ferida, caiu e escorreu junto com a água até o ralo.
Continuei aqui, parado, vazio. A xícara se desgastou, o café sem efeito, Jorge foi embora, e eu? fico aqui, no meu limite.