Nenhuma beleza ou cor em seu quarto.
{ apenas é }
Um lugar que não pode ser descrito, e que por vezes é tão pequeno e sufocante, ou imenso e assustador.
São quatro paredes,
{ela conta e reconta}
mas se perde entre elas como se estivesse presa num labirinto.
Abre a janela sem saber o que a espera,
noite ou dia, sol ou chuva?
{silêncio}
Respira fundo e força os olhos,
quer ver o mundo mas teme sua vastidão.
Espera, {im}paciente que alguém a tome pela mão.
Não quer mais ficar sozinha.
Teme por si mesma e pelos outros.
Rabisca todo papel que encontra,
e as paredes, e a escrivaninha, e os versos dos livros.
Quer ser poeta, mas tem receio de se expor.
Por isso só escreve cartas e nada mais.
Talvez arrisque sair,
mas não explora muito de cada vez.
As cores são um contraste tão maravilhoso que ela fica assustada e zonza.
Talvez um dia todas as maravilhas sejam tão atraentes que ela irá se afastar.
{cada vez mais distante daquele quarto,
até que ele deixe de existir}