Acordo e vejo que recebi uma mensagem. Um link tímido acompanhado de um “talvez tu goste dessa música”. É claro que eu gosto de Foo Fighters e isso com certeza foi pesquisado. Talvez minha vida nunca tenha sido tão misteriosa na internet. A surpresa, porém, foi ter sido a música “Aurora”. Achava que só eu gostava dessa canção neste pequeno grande planetinha. Mas alguém também gosta e teve a sensibilidade [maior que a minha] de achar que alguém, e que esse alguém ainda mais específico, gostaria também.

Eu terminei de constatar, mais tarde, que essa primeira mensagem tinha um propósito. Da mesma forma que a conversa seguiu, a seu modo, minha mente também foi parar em algum lugar. Até o abismo imenso que se instalou no meu coração.

Ao meu redor, alguns passam por situação parecida. Eu vejo uma colega de trabalho contando sobre suas “noitadas” e seus “boys”. Vejo uma das minhas melhores amigas namorar um cara porque o ex namorado já seguiu em frente, e me vejo no mesmo anseio. O anseio por tirar logo tudo o que restou aqui. O anseio de dedicar esse afeto pra alguém que esteja presente e que retorne.

Mas é injusto. Eu não sei nada sobre esse rapaz que viu sei lá o que em mim e me mandou uma música muito bonita de uma banda que gosto bastante. E ele, de mim, nada sabe também.

Eu vejo estes dois exemplos e percebo a busca por “tapar o buraco”. Tapar o vazio que ficou na rotina e que era dedicado pra alguém. Tapar a ausência de uma mensagem de bom dia, de um compartilhamento e de um toque. Tapar um vazio que, no fim das contas, pesa muito.

E eu já fiz isso, no passado, com outros amores. E hoje penso que há uma grande probabilidade disso ter acontecido comigo também. Os grandes perdedores somos nós mesmos. Além de não preencher o nosso próprio vazio, ainda carregamos o fardo de ter esburacado uma outra vida. E eu não quero pegar ninguém pra tapar o meu buraco. Por isso, nosso breve diálogo terminou com um “qualquer dia desses talvez a gente se fala”.

“You believe there’s something else
To relieve your emptiness"